Cardápio para refluxo e gastrite: o que comer e o que evitar

Não existe uma lista de proibidos que valha para todo mundo, e é por isso que tanta gente segue a lista e continua passando mal.

Cenoura e abobrinha no vapor, purê de batata, frango cozido, chá de camomila e mamão

Refluxo e gastrite são coisas diferentes que costumam aparecer juntas na mesma conversa. No refluxo, o conteúdo do estômago sobe para o esôfago e causa queimação. Na gastrite, existe inflamação da parede do próprio estômago. Os cuidados alimentares se sobrepõem bastante, mas a causa e o tratamento não são os mesmos.

O ponto que mais confunde: não existe uma lista universal de alimentos proibidos. Os estudos que testaram listas fechadas encontraram resultados fracos, porque o gatilho varia muito de pessoa para pessoa. Alguém piora com café e passa bem com tomate, outra pessoa vive o contrário.

O que tem efeito mais consistente não está na lista de alimentos e sim no comportamento à mesa: o tamanho da refeição, a velocidade com que se come e o intervalo entre comer e deitar. Perda de peso, em quem tem excesso, é uma das medidas de maior impacto no refluxo, porque reduz a pressão sobre o estômago.

O que priorizar no prato

O que colocar com mais frequência e o motivo de cada escolha.
Alimento ou grupo Por que entra
Refeições menores e mais frequentesVolume grande de uma vez aumenta a pressão dentro do estômago e favorece o refluxo. Dividir ajuda mais do que cortar alimentos.
Preparações simplesGrelhado, assado, cozido e refogado leve costumam ser melhor tolerados que fritura e molhos gordurosos, que retardam o esvaziamento do estômago.
Legumes cozidos e raízesBatata, mandioca, abóbora e cenoura cozida são bem tolerados na maioria dos casos e ajudam a compor refeição sem irritação.
Proteína magraFrango, peixe branco, ovo e cortes magros. A gordura em excesso é o componente que mais atrasa o esvaziamento gástrico.
Água ao longo do diaDistribuída entre as refeições, e não em grande volume junto com a comida, para não aumentar a distensão do estômago.

O que reduzir

O que costuma atrapalhar, em ordem de impacto sobre a condição.
Item Por que atrapalha
Frituras e refeições muito gordurosasÉ o item com efeito mais consistente entre pessoas diferentes. Gordura em excesso retarda o esvaziamento e prolonga a exposição ao ácido.
Álcool e refrigeranteÁlcool relaxa o esfíncter que separa esôfago e estômago, e a bebida gaseificada aumenta a pressão interna.
Café, chocolate e hortelãGatilhos clássicos, com efeito real em parte das pessoas e nenhum em outra parte. Vale testar em vez de cortar por regra.
Comer e deitar em seguidaNão é alimento, é o fator de maior peso. O intervalo recomendado costuma ser de duas a três horas entre a última refeição e a cama.
Frutas cítricas e tomate, se houver sintomaSó entram na lista de redução quando você identificar que pioram o seu caso. Cortar sem necessidade empobrece a alimentação à toa.

Um dia de cardápio como exemplo

Este é um exemplo de estrutura, não uma prescrição. Repare menos nos alimentos e mais no tamanho das refeições e no intervalo entre elas, que é onde está o efeito no refluxo.

  1. Café da manhã Pão simples com queijo branco, mamão e chá de camomila ou água.
  2. Lanche da manhã Banana ou maçã cozida com canela.
  3. Almoço Arroz, frango grelhado desfiado, purê de batata e cenoura cozida com azeite.
  4. Lanche da tarde Iogurte natural com aveia, se houver boa tolerância a lácteos.
  5. Jantar Sopa de legumes com peixe branco ou creme de abóbora com ovo cozido, pelo menos três horas antes de deitar.

Erros que atrapalham mais do que parece

Seguir uma lista de proibidos da internet ao pé da letra
A lista genérica corta trinta alimentos e mantém o hábito de comer muito e deitar cedo depois, que é o que realmente sustenta o sintoma.
Tomar leite para aliviar a queimadura
O alívio dura minutos e depois o estômago responde produzindo mais ácido. Funciona como paliativo ruim e atrapalha a leitura dos gatilhos reais.
Tratar H. pylori só com comida
A bactéria, quando presente e indicada para tratamento, exige antibiótico prescrito por médico. Alimentação ajuda no conforto e na recuperação da mucosa, mas não elimina a infecção.
Ficar longos períodos em jejum
Estômago vazio por muito tempo costuma piorar dor em gastrite. Regularidade nos horários costuma render mais que restrição de alimentos.

Perguntas frequentes

Não. No refluxo o conteúdo do estômago sobe para o esôfago e o sintoma principal é queimação atrás do peito. Na gastrite existe inflamação da parede do estômago, com dor ou queimação na boca do estômago. Podem coexistir, e os cuidados alimentares se parecem, mas o diagnóstico e o tratamento médico são distintos.

Nenhum é proibido para todo mundo. Existem gatilhos frequentes, como fritura, álcool, bebida gaseificada, café, chocolate e hortelã, mas a resposta é individual. O caminho mais eficiente é registrar o que você comeu e quando o sintoma apareceu, por duas a três semanas, e cortar apenas o que se confirmar.

Água em jejum não trata gastrite, embora seja um hábito inofensivo. O que muda o quadro é regularidade das refeições, redução de álcool e de anti-inflamatórios sem indicação, e tratamento médico quando existe H. pylori.

Depende do seu caso. Café estimula a secreção ácida e piora o sintoma em parte das pessoas, mas muitas toleram bem, sobretudo se tomado junto com comida e não em jejum. Vale testar reduzindo a quantidade antes de cortar.

O intervalo mais citado é de duas a três horas. Elevar a cabeceira da cama em cerca de quinze centímetros também tem efeito comprovado em quem tem sintoma noturno, e costuma render mais que qualquer restrição alimentar isolada.

Fontes